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Europa, 60 anos depois. CCDR Algarve acolhe exposição em tapeçaria

A CCDR Algarve e o Centro Europe Direct Algarve convidam a visitar a Exposição "Europa 60 anos depois. A vida na arte", um dos eventos de comemoração dos 60 anos da assinatura dos Tratados de Roma e dos 30 anos do programa ERASMUS.  

Esta mostra é inaugurada em Faro, esta sexta-feira, dia 24 de março pelas 17h30, logo após a realização da conferência comemorativa #EU60 e arranca um dia antes das celebrações oficiais do Tratados de Roma que instituíram a actual União Europeia.

Ana Sousa docente da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, é a curadora da exposição e traz-nos trabalhos de alunos de mobilidade obras que revelam o que é viver, estudar e criar, no contexto proporcionado pela adesão à União Europeia, diferentes olhares perante uma mesma realidade: infância, velhice, identidade, género, empatia, partilha, conectividade, transformação, tempo. Olhares de que sobressaem três valores basilares: paz, liberdade e diversidade, comuns à arte e à vida na Europa.

«Estudar hoje, numa universidade europeia, é certamente diferente do que era há 60 anos atrás. No caso das belas-artes, embora os intercâmbios já acontecessem (alguns dos jovens artistas deslocavam-se e passavam longas temporadas em Itália ou em França), a verdade é que a dimensão e a diversidade de culturas que coabitavam no mesmo espaço de aprendizagem eram consideravelmente menores. Enquanto docentes na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, podemos afirmar que, hoje, o espírito e a partilha são outros. Se desde a criação das academias de belas-artes, nomeadamente as de Roma e de Paris, estas constituíam exemplos, sendo que os movimentos artísticos gravitavam à volta do espírito académico, constituindo-se grupos que, a favor ou contra os modelos vigentes, criavam escola; hoje a realidade, ou melhor, as realidades revelam uma outra tendência: a da convivência de jovens artistas de muitas nacionalidades, com origens e culturas diversas e, por conseguinte, com diferentes modos de pensar e fazer arte, afirma a curadora Ana Sousa.

Reportando-nos ao exemplo que melhor conhecemos, a prática artística da tapeçaria na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, distinguimos claramente o tempo em que éramos alunos do tempo de hoje, em que a diversidade é tanta que, a maioria das vezes, comunicamos em inglês, língua comum entre alunos alemães, americanos, austríacos, brasileiros, finlandeses, franceses, húngaros, ingleses, iranianos, israelitas, polacos, portugueses, russos. Estudar na Europa também é isto: conviver com colegas, não só europeus, mas oriundos das mais distantes partes do mundo e perceber que temos características e identidades próprias mas, ao mesmo tempo, como diz a letra: “é muito mais o que nos une, que aquilo que nos separa”.

Os trabalhos ora expostos demonstram-no: por um lado, são reveladores da paz e tranquilidade que os alunos experimentaram na sua infância, o que lhes permitiu, crescer e amadurecer em harmonia; paz e tranquilidade essa, por vezes, procurada por outras culturas, que vieram a conviver com a nossa, integrando-se e integrando-nos naqueles que não eram, mas se tornaram os nossos hábitos, o nosso estar, que depressa começa a enraizar-se no nosso ser.

E ser europeu, para os nossos alunos, reside precisamente no paradoxo de conservar um legado histórico que trespassa na nossa arquitectura, nas nossas ruas, nos letreiros, mas também no património imaterial, na música, nas estórias, nos costumes, na gastronomia... e, simultaneamente, ser tão entusiasta na adesão a novos mundos, sendo capaz de assimiliar, integrar e se apropriar de outros legados. Para uns tradição, para outros é desta mistura que emanam projetos inovadores, combinações inusitadas, com mprevistas. É nesta alquimia de múltiplos olhares e sentires que a Europa renasce: uma  Europa velha e nova, tradicional e inovadora, harmoniosa e revolucionária. A Europa. E a arte que nela vive, refere a curadora. 

A exposição está patente ao público de 27 de março a 30 de abril entre as 10h00 – 18.00 na Sala de Exposições da CCDR Algarve,  Pç da Liberdade, 2, R/C, Faro.  A entrada é grátis.

Para marcação de visitas organizadas com grupos contacte com Ana Paula Lopes no Centro Europe Direct europedirect@ccdr-alg.pt     

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